Wednesday, July 05, 2006

Sinto-me reconhecida por ao menos te ter encontrado. Poderíamos ter passado um pelo outro como duas partículas de poeira cósmica.
Todas as especulações filosóficas que eu possa conjugar não me impedem de te desejar, todos os dias, todos os minutos, nem o impiedoso grito do tempo que nunca pude passar contigo, dentro da minha cabeça.
Num universo de ambiguidades, este tipo de certezas só existe uma vez, e nunca mais, não importa quantas vidas se vivam.
Amei, pura e simplesmente, num qualquer dia, quando da tua boca soou a letra da música que antes passou e logo foi mudada "Tenho saudades de você debaixo do meu cobertor..." e de seguida, limitaste-te a rir e a lançar-me um olhar esquivo. Passaste a próxima meia hora a olhar para mim de um modo fugídio, até que por fim eu me levantei, desejei boa noite e tu seguiste-me com o olhar enquanto eu subia as escadas. Lá em cima olhei mais uma vez para ti naquela noite e já tu estavas debruçado sobre a tua concentração a trabalhar.

Photo by Alfonso Jimenez

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