
Criaste em mim mil milhões de expectativas e no fim cortas-me os braços. As palavras custam a sair, falham-me! Quando queremos dizer que cometemos o maior erro das nossas vidas de uma diferente forma, quando não queremos mesmo é complicar, e fazemos as palavras andar às voltas sem saber ao certo o que estamos para ali a dizer. Só nos sai porcaria! Chego a Viana e penso horas intermináveis o quão certo foi ou não agir daquela forma. Ligo o rádio e todas as músicas me fazem lembrar... ligo a Tv e só tenho vontade de a desligar porque qualquer manifestação de afecto me faz lembrar... Ainda fico em transe quando olho, quando sinto, quando... LEMBRO! Não são pequenos pedaços de memória que esvoaçam por aí. São memórias completas impossíveis de se ausentarem. Elas correm velozmente e num ápice conseguem alcançar-me. Lembro-me da voz, do toque, das curvas, dos dedos, dos lábios... de tudo, ao mais pequeno detalhe. Da chuva a cair no quarto, das horas que passavam a voar, de fazer amor e não querer parar. À medida que o tempo passa, a vontade de te falar torna-se quase intolerável. É um vórtice de sentimentos obscuro. Estou no limite de poder vir a dizer algo que trará consequências lamentáveis. O ser humano é mesmo assim, uma lamentável peça de jogar neste mundo. Não interessa que somos capazes de amar, o que interessa é que somos capazes de sofrer.
A máquina do tempo não surgiu ainda, e podemos querer emendar os nossos erros um dia mas sem resultados possíveis. Podemos querer voltar atrás no tempo e nunca conseguir, mas uma coisa tenho como certa, nunca irá surgir desta vontade o arrependimento. Nunca.
Observei e senti a tua respiração e o teu cheiro da última vez que estiveste presente. A minha pulsação cresceu, os meus olhos idolatraram-te. As palavras resolvem-se na minha cabeça! Como uma leoa enjaulada tento arranjar uma explicação plausível para tanta estupidez... Tentei falar mas todas as palavras que compunha soavam mal. Não sei o que dizer, muito menos o que pensar. Só me tiram esta inquietação quando tiverem resposta à minha pergunta: Será que vale a pena continuar a tentar? ~~~~*A*M*O*R*~~~~
(photo by Ricardo Tavares)