Wednesday, July 05, 2006

Vem cá dizer-me que sim.
Ou vem dizer-me que não.
Porque sempre vens assim
P'ra ao pé do meu coração.
Fernando Pessoa
Sinto-me reconhecida por ao menos te ter encontrado. Poderíamos ter passado um pelo outro como duas partículas de poeira cósmica.
Todas as especulações filosóficas que eu possa conjugar não me impedem de te desejar, todos os dias, todos os minutos, nem o impiedoso grito do tempo que nunca pude passar contigo, dentro da minha cabeça.
Num universo de ambiguidades, este tipo de certezas só existe uma vez, e nunca mais, não importa quantas vidas se vivam.
Amei, pura e simplesmente, num qualquer dia, quando da tua boca soou a letra da música que antes passou e logo foi mudada "Tenho saudades de você debaixo do meu cobertor..." e de seguida, limitaste-te a rir e a lançar-me um olhar esquivo. Passaste a próxima meia hora a olhar para mim de um modo fugídio, até que por fim eu me levantei, desejei boa noite e tu seguiste-me com o olhar enquanto eu subia as escadas. Lá em cima olhei mais uma vez para ti naquela noite e já tu estavas debruçado sobre a tua concentração a trabalhar.

Photo by Alfonso Jimenez

Tuesday, July 04, 2006


Se esta noite quisesses subir as escadas da casa onde moro, se quisesses abrir uma comporta no teu abraço, talvez os meus olhos fizessem as pazes comigo e eu fosse capaz de me olhar ao espelho e soltar as asas.
Origem da Foto: PhotoForum.ru
Photo by Ivolgin
Criaste em mim mil milhões de expectativas e no fim cortas-me os braços. As palavras custam a sair, falham-me! Quando queremos dizer que cometemos o maior erro das nossas vidas de uma diferente forma, quando não queremos mesmo é complicar, e fazemos as palavras andar às voltas sem saber ao certo o que estamos para ali a dizer. Só nos sai porcaria! Chego a Viana e penso horas intermináveis o quão certo foi ou não agir daquela forma. Ligo o rádio e todas as músicas me fazem lembrar... ligo a Tv e só tenho vontade de a desligar porque qualquer manifestação de afecto me faz lembrar... Ainda fico em transe quando olho, quando sinto, quando... LEMBRO! Não são pequenos pedaços de memória que esvoaçam por aí. São memórias completas impossíveis de se ausentarem. Elas correm velozmente e num ápice conseguem alcançar-me. Lembro-me da voz, do toque, das curvas, dos dedos, dos lábios... de tudo, ao mais pequeno detalhe. Da chuva a cair no quarto, das horas que passavam a voar, de fazer amor e não querer parar. À medida que o tempo passa, a vontade de te falar torna-se quase intolerável. É um vórtice de sentimentos obscuro. Estou no limite de poder vir a dizer algo que trará consequências lamentáveis. O ser humano é mesmo assim, uma lamentável peça de jogar neste mundo. Não interessa que somos capazes de amar, o que interessa é que somos capazes de sofrer.
A máquina do tempo não surgiu ainda, e podemos querer emendar os nossos erros um dia mas sem resultados possíveis. Podemos querer voltar atrás no tempo e nunca conseguir, mas uma coisa tenho como certa, nunca irá surgir desta vontade o arrependimento. Nunca.
Observei e senti a tua respiração e o teu cheiro da última vez que estiveste presente. A minha pulsação cresceu, os meus olhos idolatraram-te. As palavras resolvem-se na minha cabeça! Como uma leoa enjaulada tento arranjar uma explicação plausível para tanta estupidez... Tentei falar mas todas as palavras que compunha soavam mal. Não sei o que dizer, muito menos o que pensar. Só me tiram esta inquietação quando tiverem resposta à minha pergunta: Será que vale a pena continuar a tentar? ~~~~*A*M*O*R*~~~~
(photo by Ricardo Tavares)